Um índio da tribo Kamaiurá iniciou a construção de uma canoa com a casca do jatobá. Ao termina-la retornou para junto de sua mulher, que há pouco dera à luz. Algum tempo depois, voltando à mata onde havia deixado a canoa, não mais a encontrou. Entristeceu-se e, pensativo, imaginou que não poderia mais pescar.

Absorto, despertou com um ruído. Foi grande o seu espanto ao perceber que em sua direção movimentava-se lentamente, por si mesma, uma canoa, a mesma que ele construíra, agora com vida e olhos na proa. Havia se transformado em um animal. Deu-lhe um nome: Igaranhã.

Entrou na canoa, ordenando-lhe que seguisse em direção ao lago. Assim que Igaranhã tocou a água, cobriu-se com muitos peixes, dos mais variados tipos, cores e tamanhos, que saltavam sem cessar da água para dentro da embarcação. Os primeiros, a própria canoa devorou, ficando no entanto a maior parte para o índio.

Dias depois, retornando ao mesmo local, como por encanto, a canoa surgiu novamente da mata, dirigindo-se ao lago e o fenômeno repetiu-se. O índio ambicioso recolheu rapidamente os peixes, sem deixar à Igaranhã sua parcela do alimento. Esta então, muito contrariada, acabou por devorar seu próprio dono.