Os
selvagens crêem numa coisa que cresce como uma abóbora.
É grande e oca por dentro. Fincam-lhe através de um
pequeno cabo, cortam-lhe uma abertura como uma boca e metem-lhe
no interior pequenas pedras, de modo que chocalha. Sacolejam isto
quando cantam e dançam. Chamam-no maracá. Cada um
dos homens possui o seu. Há entre eles algumas pessoas a
que chamam de pajé. São considerados por eles como
aqui se consideram os adivinhos. Perambulam uma vez por ano através
da terra, vão a todas as choças e relatam que um espírito,
vindo de longe, do estranho, os visita, investindo-os da faculdade
de fazer falar e dar o poder a todos maracás – se o
quisessem. Preparam uma grande festa, bebem, cantam e fazem agouros,
levando ainda estranhos usos a efeito.”
(Extraído
da narrativa de Hans Staden, viajante alemão que ficou 9
meses prisioneiro de índios Tupinambá em 1554.)
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