Assim
o índio chamou outros três índios e pediu-lhes
que trouxessem da toca da Cobra Grande a castanha de tucumã
onde a noite estava guardada.
Chegando no local do grande rio onde ficava a Cobra Grande, eles
foram advertidos: “Aqui está. Não a abra senão
todas as coisas se perderão.”
Os índios retornavam na canoa quando perceberam o ruído
de sapos e de grilos dentro da tucumã. Quando já
estavam quase de volta, um dos índios sugeriu que abrissem
a castanha para ver o que tinha dentro. Abriram a casca que guardava
a noite e tudo de repente escureceu.
Todas as coisas espalhadas pela floresta se transformaram em animais
e pássaros e o que estava espalhado pelo rio se transformou
em peixes e patos.
A filha da Cobra Grande quando percebeu o que os índios
haviam feito na canoa, viu a Estrela Dalva e disse ao índio:
“A madrugada vem rompendo, vou dividir o dia da noite para
que eles não se misturem.” Pegou dois fios. Enrolou
o primeiro, pintou-o de branco e disse: - Tu serás cujubin,
e cantarás sempre que a manhã vier raiando. Dizendo
isso, soltou o fio, que se transformou em pássaro e saiu
voando. Depois, pegou o outro, enrolou-o, jogou as cinzas da fogueira
nele e disse: - Tu serás coruja, e cantarás sempre
que a noite chegar. Dizendo isso, soltou-o, e o pássaro
saiu voando. Desde então todos os pássaros cantam
a seu tempo e o dia se intercala com a noite.
(Lenda
tradicional indígena coletada e publicada em 1935 pelo
Gal. Couto de Magalhães em sua obra “O Selvagem”)
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