Vozes da Floresta

Jareko nhanderopy’i re
Nhaneramo’i tenonde gua’i
Jareko nhanderopy’i re
Nharombaraete karai poty

Quanto mais em seus meandros
Mais eu vejo a verdadeira cor
Sob a asa verde das copas
Não ter mais o céu

Quanto mais meus pés descalços
Pisam no escuro da selva
Vozes distantes ficam mais claras
Mostram um lugar para esconder

Quanto mais me perco aqui
Mais me encontro ao encontro de Anhangá
Sobre as grandes raízes, um tronco seguro
Para me abrigar

No manso silêncio ao som dos insetos
Da chuva nas folhas, de ventos incertos
Recolho o medo e as flechas
Prisioneiro de teias eternas

Alcançar
Um lugar que pudesse me transformar
E me espalhar como água
E seguir
Suas chamas lançadas no ar
E chegar à sua morada
Na relva e pedras desse lugar

Quanto mais me perco aqui
Mais me encontro ao encontro de Anhangá
Vozes distantes mais claras
Distante é o caminho para a taba

Alcançar
Um lugar que pudesse me transformar
E me espalhar como água
E seguir
Suas chamas lançadas no ar
E chegar a sua morada
Entre os caminhos desse lugar