Não
és um de nós
No centro da taba se estende um terreiro,
Onde se encontra o concílio guerreiro
Juntam-se em torno de um índio infeliz.
O ritual começa, reina o festim.
O
prisioneiro à espera da morte,
O índio cativo já querem acabar
Outro sol da manhã jamais verá
O canto de morte que entoava era assim:
Sou filho
das selvas, nas selvas cresci;
Guerreiros, pertenço à tribo tupi.
Meu pai a meu lado, já cego e quebrado
Eu era seu
guia na noite sombria,
Em mim se apoiava, em mim se firmava,
Por isso não coro do pranto que choro
Me afaste da morte, isso eu imploro
Na mata fechada,
a mão tremula incerta
Procura o filho em meio a sua treva
O cacique
Aimoré ordena de pronto
Ouvindo o pranto, livrar-lhe da morte
Não será alimento dos fortes
Não comeremos sua carne covarde
Apenas levante e parte, essa será a sua sorte
De novo ao
lado do pai companheiro.
Com o cheiro das tintas de um prisioneiro
Um que misterioso se torna certeza
Confessa ao pai a sua fraqueza
Uma idéia fatal ocorre-lhe à mente
A onça ruge nas profundezas
Era o covarde,
filho do forte;
Pois choraste frente à morte, meu filho não és!
Não és um de nós! Não és um Tupi!
Seja tu,
isolado na terra,
Rejeitado da morte na guerra
Rejeitado dos homens na paz
Que não
encontres amor nas mulheres,
Teus amigos, se amigos tiveres,
Tenham alma inconstante e falaz! |