Em
julho de 2002, eu e dois amigos andávamos pela Floresta de Ipanema,
no morro de Araçoiaba, próximo a Sorocaba. Um desses amigos, que mora ao pé do morro, disse que havia encontrado um machado indígena próximo a um dos vários riachos que descem da serra. Interessado em ver essa machadinha, fui até a casa do historiador Adolfo Frioli, onde ela se encontrava. Belo artefato: uma peça única de pedra polida. Desde então tenho pesquisado sobre os indígenas que habitavam a região de Sorocaba e o estado de São Paulo. Enquanto minhas pesquisas com a cultura indígena prosseguiam, tive a idéia de fazer um trabalho musical conceitual sobre os índios do Brasil, em especial os Tupi e Guarani. Após ter ouvido alguns CDs de música indígena, com um pequeno gravador, um sintetizador e algumas partituras, comecei a esboçar algumas melodias e acordes para o que viria a ser o conjunto de músicas do Terra Sem Mal. Em dezembro daquele ano convidei o Maurício, tecladista da banda jundiaiense Raízes Rasta, para produzir comigo o projeto. Três meses depois, enviamos o projeto à Comissão de Desenvolvimento Cultural de Sorocaba e, através da Lei de Incentivo Cultural do município, obtivemos toda a verba necessária para nossa empreita. Os 20 meses seguintes foram de trabalho intenso: após ter composto as nove músicas do CD, em nossos estúdios em Jundiaí e Sorocaba, gravamos as primeiras trilhas de teclados e percussão, convidamos os músicos para gravarem na Companhia do Som e elaboramos toda a parte gráfica do encarte e do site. Foram inúmeras madrugadas, noites e tardes, além de dirigirmos algo em torno de 28.000 km entre Jundiaí e Sorocaba para tornar o Terra Sem Mal realidade. Finalizamos os trabalhos em outubro de 2004, mês em que conhecemos a aldeia Jaraguá Ytu. Desde então temos nos empenhado em poder reverter esse projeto em prol daquela comunidade através da venda dos CDs. A renda obtida com a venda deste CD será destinada a compra de materiais duráveis para a cozinha comunitária (pratos e copos) e para a escola da aldeia (papéis, lápis, etc). Nossos agradecimentos especiais vão para a CDC- LINC da Prefeitura de Sorocaba, que financia integralmente nosso projeto, ao professor Eduardo de Almeida Navarro da USP, por toda as informações referentes a cultura indígena, a Ricardo Cecchi, engenheiro de som da Cia. do Som e a todos que têm estado ao nosso redor compartilhando o trabalho e apoiando-nos nessa incrível experiência. |